‘RURALIDADE’ - 10/nov-2015

Após análise das opiniões proferidas em debate de reflexão, foi possível elencar um conjunto de ideias multifacetadas que caraterizam a ‘Ruralidade’, realçando uma profunda necessidade de intervenções futuras, estruturantes e devidamente fundamentadas que potenciem as especificidades da região e promovam a comunidade rural. A opinião do Grupo foi consensual: para atingir estes objetivos é necessário haver uma grande conjugação de esforços, trabalhar em rede e pensar a Região como um Todo, em prol do desenvolvimento coletivo e não individualizado.
Segundo a equipa técnica de análise, todas as reflexões proferidas, no que concerne às necessidades, uso e gestão do território, afiguram-se equitativamente pertinentes e de elevada importância, representando por si só, importantes contributos para a criação de uma nova cultura territorial capaz de projetar a região para outros níveis de desenvolvimento sustentado.
Apesar da multiplicidade de sugestões, a equipa técnica identificou quatro abordagens que à partida, se afiguram passíveis de exequibilidade a médio prazo, e sobre as quais serão desenvolvidos esforços, atendendo a uma metodologia participativa de trabalho em rede, capaz de potenciar a sua viabilidade, envolvendo organismos locais, empresários e comunidade em geral do distrito de Castelo Branco.

(I)    Criação de uma Rede de Turismo Rural
“A ruralidade é uma característica muito positiva para o desenvolvimento do distrito.”
Criação de uma rede de cooperação de turismo rural que promova uma maior competitividade e eficiência relativamente à oferta e procura de alojamento em espaço rural, aliando ao conceito uma maior visibilidade e projeção das potencialidades endógenas da nossa região, tanto a nível patrimonial, paisagístico, gastronómico, como cultural. Pretende-se uma articulação de esforços de forma estruturada para que ganhe escala e potencie uma economia, que gera por influência.
(II)    Promoção da cooperação e apoio técnico a iniciativas/projetos de zonas periféricas
“É preciso olhar à volta e reparar nas necessidades do território. Criar oferta e apoiar novos projetos.”
Desenvolvimento de uma metodologia de trabalho em rede que possibilite um maior conhecimento da situação de excecionalidade das regiões ultraperiféricas, caraterizadas por um ‘grande afastamento das zonas urbanas, com caraterísticas particulares e uma dependência económica em relação a pequenas produções agrícolas’. Neste contexto, pretende-se atuar promovendo um maior conhecimento de uma realidade específica (os constrangimentos, as necessidades e as potencialidades) que permita identificar oportunidades com potencial económico que possam traduzir-se em ideias de negócio viáveis. Através da cooperação entre as demais ‘forças vivas’ da região, proporcionar junto dos interessados, apoio técnico específico: informar e orientar sobre as medidas de incentivo existentes, contribuindo desta forma para a valorização do território, a inserção e bem estar social e o desenvolvimento da economia local.
(III)    Promoção e valorização do património rural junto das escolas do ensino básico (público e privado)
“A educação é estruturante para a mudança de mentalidades.”
Ações de sensibilização junto das escolas do ensino básico, sobre o papel educativo destas, numa perspetiva de educação para a cidadania, de incutir nos jovens um maior conhecimento da Região (através de conteúdos e/ou iniciativas como sejam, visitas de estudo na região), sensibilizando-os para a valorização do património cultural, natural, paisagístico e edificado, associado ao mundo rural, ‘muitas vezes subestimado ou mesmo ignorado’.
“Ruralidade tem a ver com memória, identidade, património imaterial e é fundamental ser valorizado.”
É ainda de manifesto interesse, atuar junto do Ministério da Educação para que no âmbito do próximo plano de ensino, sejam tomadas decisões estruturantes no sentido de promover uma mudança de mentalidades que confira à ruralidade o devido reconhecimento e uma ‘nova dimensão’, assente num ‘maior conhecimento, valorização do passado e do património rural’. Pretende-se sobretudo sensibilizar os governantes para a necessidade de uma ‘nova atitude’ moldada pela educação e cultura, que confira o respeito pela identidade de cada região.
“A ruralidade é o básico, são as raízes da árvore da vida da região.“
(IV)    Estimular iniciativas de investigação e desenvolvimento de contexto empresarial Ação direcionada para desenvolver ligações entre o tecido empresarial e o ensino superior, através da Universidade da Beira Interior e Instituto Politécnico de Castelo Branco, segundo duas vertentes de atuação:
-  promover a investigação e estimular trabalhos de mestrado sobre a Ruralidade;
- sensibilizar as empresas sobre a necessidade de investir em inovação e no conhecimento para subsistir, através da investigação científico tecnológica, em especial no domínio do desenvolvimento de produtos/serviços ou na introdução de melhorias significativas baseadas em processos tecnologicamente inovadores, constituindo uma alavanca para a afirmação das empresas da região junto dos mercados nacionais e internacionais.

 ‘MOBILIDADE’ - 02/fev-2016

Reconhecendo a importância do conceito ‘Mobilidade’ como fator chave para o desenvolvimento socioeconómico, gerador de oportunidades e desafios, esta abordagem assume uma importância central pela sua transversalidade: mobilidade física, de ideias e de conhecimento, de bens e serviços e de pessoas, cuja dinâmica gerada influencia a economia e a qualidade de vida da população.

Neste contexto, foram elencadas três propostas/instrumentos de atuação e sensibilização junto das entidades competentes, por forma a que seja possível equacionar novas formas de organização e gestão da mobilidade quer em termos estratégicos quer operacionais, permitindo de forma integrada uma maior mobilidade regional e interurbana.

•    Mobilidade via Autoestrada A23 / portagens
“A A23 é um instrumento de utilização e não um luxo.”
"Sendo a autoestrada A23 de capital importância para a fácil mobilização, quer de serviços produtos e pessoas-, faz com que o assunto das portagens seja demasiadamente urgente”.

A necessidade de unir esforços e contribuir para uma nova moldura de atuação, tem mobilizado várias entidades e forças vivas da região, através de uma plataforma de entendimento e colaboração mútua, que pretende reivindicar junto das entidades competentes a supressão do pagamento de portagens na A23, tendo em consideração os prejuízos causados a nível económico e social, que afetam a população em geral, as empresas e a coesão territorial do distrito de Castelo Branco. Neste sentido, foi já solicitada uma audiência ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas, com a pretensão de apresentar dados atuais e concretos sobre o impacto sentido na região (dados recolhidos via aplicação de inquéritos e dados estatísticos relativos ao tráfego na A23), e sobre a necessidade da região potenciar o seu uso como via central de fluxo de pessoas e bens, apelando a uma revisão dos valores praticados, considerando a sua abolição ou discriminação positiva, para os residentes do distrito de Castelo Branco.

•    Mobilidade Interna “Melhorar as condições de mobilidade é sinónimo de desenvolvimento e qualidade de vida.”

(i) Linha Ferroviária da Beira Baixa
“A linha da Beira Baixa é vista pela ligação a Lisboa e devia também ser vista     para unir a Beira Baixa!”
Considerando que a linha ferroviária da Beira Baixa atravessa os principais polos urbanos da região, com estações localizadas em pontos centrais de fácil escoamento de pessoas e bens, este meio de transporte de enorme potencial para a mobilidade intrarregional, representa uma alternativa vantajosa face ao transporte rodoviário, se considerarmos fatores como o tempo despendido, o custo e a segurança. Para potenciar a sua utilização, especialmente em regime interurbano, há necessidade de encontrar respostas úteis, tais como o reajustamento de horários (fator critico para potenciar o emprego) e aplicação de preços mais apelativos ou ainda, considerar uma eventual discriminação positiva para os residentes do distrito de Castelo Branco. Apesar de subvalorizado enquanto meio de transporte deve ser encarado num futuro próximo como fator de união e coesão territorial.

 

(ii) Ligação à Periferia
“A fixação das pessoas ao território e por consequência o desenvolvimento dos setores de atividade também passa pelas boas condições de mobilidade proporcionadas.”
A vasta área do distrito de Castelo Branco, caraterizada sobretudo por uma paisagem rural de grande riqueza de recursos e património, mas últimas décadas, sobretudo em territórios periféricos, tem conhecido mudanças latentes, principalmente sociais, associadas por um acentuado despovoamento e envelhecimento populacional. Assiste-se ainda que a um ritmo diferenciado, a povoações votadas a um profundo isolamento e afastamento, relativamente aos centros urbanos. Esta realidade, fruto de vários fatores, entre eles uma rede deficiente de transportes públicos, com pouca flexibilidade de horários e de fluxo de carreiras suburbanas, condicionando a qualidade de vida das populações rurais, principalmente no que concerne ao acesso a serviços mínimos de saúde, educação, ou às mais elementares necessidades diárias. Estas consequências podem ser ainda maiores se considerarmos a necessidade de fixar população, atrair o investimento e o próprio desenvolvimento rural. Esta problemática obedece a uma especial atenção por parte das entidades competentes, incluindo as empresas de transportes públicos. Possíveis soluções são de equacionar para uma maior regulação dos transportes públicos, como por exemplo, recorrer a autocarros de menor dimensão e a existência de um circuito que abrangesse as aldeias e vilas e as ligasse às cidades em dias e horas programadas. Outra resposta, poderia passar pela liberalização do sistema de transportes praticado pelos táxis, nomeadamente com recurso a tarifas certas.

(iii) Ligação a Espanha via IC31
A autoestrada que irá ligar Madrid a Lisboa (via Monfortinho, Castelo Branco), é considerada estratégica para o desenvolvimento da região e contribuirá para aproximar a Beira Baixa da Estremadura espanhola. Embora a A23 aproxime a região do litoral e de Lisboa, com o IC31 (Lisboa-Monfortinho) a distância para Madrid fica também mais perto. “As obras do lado espanhol têm avançado a bom ritmo (autovia EX-A1) mas do lado português ainda se encontra no papel”. Este eixo rodoviário que na zona entre Castelo Branco e Plasência dita uma mesma distância quer de Lisboa, quer de Madrid, pode trazer muitas vantagens, representando uma oportunidade de desenvolvimento da região, facilitando a mobilidade física, promovendo o emprego, as transações comerciais e o turismo em todas as suas valências. O reforço na ligação é pois importantíssimo, conferindo à região de Castelo Branco “uma nova centralidade”.

•    Mobilidade de Informação
“A mobilidade não implica só pessoas e bens!”
O desenvolvimento das tecnologias de informação e da comunicação alterou de forma significativa a organização social, principalmente no que se refere às relações entre os indivíduos e no acesso a todo o tipo de informação, de forma atual e interativa, em qualquer momento ou lugar. Os outputs resultantes da utilização das novas tecnologias, são importantes contributos para o desenvolvimento económico e social e desta forma para a evolução pessoal e profissional. A necessidade de acesso em tempo útil aos mais variados serviços disponibilizados via internet é tanto maior se considerarmos os territórios periféricos que pelo seu afastamento dos centros urbanos, carecem das entidades competentes uma maior atenção, nomeadamente uma cobertura de rede mais eficiente (via fibra óptica) como forma de combater o isolamento e potenciar o investimento e o desenvolvimento socioeconómico destes territórios. Esta problemática ganha uma maior expressão junto das empresas localizadas nos parques industriais que vêm a sua atividade comercial condicionada pela fraca cobertura de rede móvel e de internet. Em muitas situações assiste-se dentro da mesma localidade a diferentes coberturas de acesso.


 ‘TURISMO COMO FATOR DE SUSTENTABILIDADE REGIONAL’ - 26/abr-2016

Reconhecendo a importância do conceito ‘TURISMO’ como fator chave para o desenvolvimento socioeconómico da região, gerador de oportunidades e desafios, esta abordagem assume uma importância central pelo seu potencial e transversalidade, gerador de dinâmicas em várias linhas de atuação sócio-económica do território.

Partindo do princípio que o Turismo é uma atividade altamente dependente de ambientes intactos, o facto de estarmos perante uma região de baixa densidade e de ocupação, representa um indicador abonatório do ponto de vista de conservação e proteção da qualidade ambiental, patrimonial, endógena e paisagística do território. É aqui que reside o enorme potencial do território da Beira Baixa: uma oferta de elevado impacto na captação de fluxos turísticos que importa trabalhar e promover junto dos vários mercados.

Principais Considerações: destaque para três aspectos relevantes e centrais para uma boa organização e gestão do Turismo regional, gerador de dinâmicas de atuação:

•    Promoção de Oferta Regional em Rede
“Importa fazer um levantamento dos produtos turísticos para no futuro os promover conjuntamente com a entidade que tem essa responsabilidade. O que falta no Turismo é um pensamento de organização e enquadramento para que seja possível definir um caminho com consistência.”
O Turismo na Beira Baixa é um setor com enorme potencial, cujos benefícios diretos ou indiretos são geradores de dinâmicas e de mais valias para a região, fomentando o desenvolvimento económico (criação de emprego, atração de investimento,…), a coesão social e a sustentabilidade do território.

“O importante é integrarmos um espírito de parceria, cooperação porque só assim vamos conseguir maximizar os recursos, as capacidades e perceber qual é o potencial do destino Beira Baixa e identificar meia dúzia de aspetos que a região deve apostar e possa vir a afirmar.”

(i)    Cooperação e trabalho em Rede
Apesar de haver consenso sobre a importância do turismo e da necessidade do trabalho em rede, o grande obstáculo continua a ser a falta de entendimento e interacção entre os diferentes agentes e entidades locais e regionais.

“…esta região não tem maturidade de produto que justifique que um município só por si seja fixador do fluxo turístico.”

As ações ou estratégias isoladas promovidas por autarquias e/ou demais entidades, não têm o impacto estrutural desejado, fixador de fluxo turístico, nem repercussões sólidas a longo prazo capaz de promover de forma sustentada o Turismo da Beira Baixa.
Para este setor ter sucesso enquanto instrumento de desenvolvimento, deve ser competitivo sendo fundamental promover uma maior organização e coordenação entre entidades locais e regionais do setor público e privado, bem como com os demais agentes ligados ao turismo para que seja possível promover um produto turístico integrado.

“Devemos olhar para o território e valorizar o que temos de melhor, focarmo-nos em menos aspetos mas focarmo-nos mais nesses menos aspetos porque são esses os grandes fatores de atração da região.”

(ii)    (ii) Promover a oferta segundo pacotes turísticos em rede
Uma região rica em biodiversidade e recursos naturais, culturais e patrimoniais, a Beira Baixa reúne condições sólidas para o desenvolvimento de atividades turísticas, congregando uma oferta diversificada e de características únicas que a diferenciam e caraterizam como região.
É essencial proceder a um levantamento a nível regional dos produtos turísticos de maior potencial e coordenar as diferentes ofertas segundo pacotes turísticos regionais, apostando por exemplo em experiências inovadoras e/ou ações-piloto, trabalhando a sua promoção de forma integrada e concertada, potenciando outputs de atractividade potenciadores de um maior fluxo turístico no âmbito do desenvolvimento territorial sustentável.
Definida a oferta, sugere-se que os intervenientes neste processo de afirmação regional apostem numa marca ‘chapéu’ capaz de agregar toda a oferta turística da região. Consolidado o produto turístico e definida a marca ‘chapéu’, importa promover a região obedecendo a uma estratégia direcionada ao nível dos mercados, apostando em campanhas convincentes de marketing e comunicação, alinhada à estratégia de atuação do ‘Turismo do Centro de Portugal’, procurando um posicionamento sólido da marca ‘Beira Baixa’ capaz de potenciar maior competitividade e a sustentabilidade económica da região.

•    Capacitação dos Recursos Humanos: Formação Técnica-Profissional
“Uma das vertentes fundamentais é qualificar as pessoas para acolher o turista.”

A importância do Turismo enquanto atividade económica de referência, envolve toda uma dinâmica de valências em diferentes escalas de atuação (hotelaria, restauração, operadores turísticos, técnicos de turismo de câmaras municipais, posto de turismo...) e cuja capacitação e qualidade de atuação, tanto ao nível do atendimento e do próprio desempenho profissional, constituem fatores preponderantes para a imagem e afirmação da região da Beira Baixa, enquanto pólo de atração turística. Importa pois, reforçar a aposta na formação técnico-profissional dos agentes turísticos, proporcionando formas de aprendizagem e/ou o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, segundo as várias valências de atuação, não descurando a sua capacitação para a prestação de serviços de informação sobre a região segundo as ofertas turísticas, agregando deste modo um conjunto de conhecimentos fundamentais para um bom desempenho profissional e imagem da região.

•    Rede de Interação entre as Unidades de Turismo Rural
“A AEBB tem 119 unidades identificadas – no Turismo de Portugal estão registadas 44 unidades. Isto é, do ponto de vista estatístico, a oferta instalada nesta subregião não corresponde à leitura que o todo nacional tem sobre a própria rede. Destas 44 unidades divididas por 7 concelhos, só 2 concelhos é que têm estatística em Turismo em Espaço Rural, o que significa que 5 concelhos não constam na atividade turística na região da Beira Baixa, nem no todo nacional. É necessário inverter esta situação.”

Reforçada a ideia da necessidade de criação de uma rede de cooperação de turismo rural que promova uma maior competitividade e eficiência relativamente à oferta e procura de alojamento em espaço rural, aliando ao conceito uma maior visibilidade e projeção das potencialidades endógenas da região, tanto a nível patrimonial, paisagístico, gastronómico, como cultural. Pretende-se uma articulação de esforços entre entidades públicas, governamentais e privados de forma estruturada para que a sua promoção ganhe escala e potencie uma economia, que gera por influência.

 

 ‘TECIDO EMPRESARIAL DA BEIRA BAIXA’ - 20/jun-2016

“Relativamente às empresas julgo que apesar da importância dos serviços, a economia da região precisa de produção e é a indústria que a faz mas para ela se desenvolver, tem que ter mercado, investidores e trabalhadores e é aqui que está o problema.”

- considerando que a economia da região assenta sobretudo em estruturas produtivas de pequena dimensão cuja atividade está muito focada para os mercados locais, cada vez mais enfraquecidos, sem capacidade para se constituírem como motores do dinamismo económico, gerador de emprego;
- considerando a falta de investimento e a débil iniciativa empresarial sobretudo relacionada com a atividade produtiva;
- considerando que grosso modo a atividade empresarial assenta em setores tradicionais, pouco modernizados, com mão-de-obra pouco qualificada e especializada;
O futuro da região da Beira Baixa exige novas dinâmicas económicas e empresariais!

Como se chega lá?
O futuro da Região passa por…!
… criar um conjunto de soluções promotoras do desenvolvimento e novas formas de criação de riqueza que sejam ‘inovadoras no modo de usufruir, de produzir, de transformar e de comercializar’, criando condições não só para a fixação mas também de captação de ‘capital humano’.
“A região tem que se fazer existir… somos nós que temos que ir à procura de soluções”
… pela necessidade de captar investimentos estruturantes, empresas âncora, sobretudo direcionados para bens transacionáveis, revitalizando social e economicamente a região, através da criação de emprego e riqueza e com efeitos multiplicadores noutros sectores;
… promover novas áreas de negócio, novas fileiras de especialização (empresas ligadas às novas tecnologias, às ciências biomédicas,…), passa pela criação de novos nichos de mercado em setores emergentes, potenciando a criação de novos empregos, atraindo mão-de-obra qualificada, impulsionando a competitividade e o desenvolvimento de modelos de negócio inovadores;
… apostar em atividades relacionadas com o aproveitamento e potenciação dos recursos endógenos da região e pela criação de redes logísticas e comerciais;
… um enorme envolvimento dos vários agentes locais e regionais, com destaque para o papel central das autarquias, proporcionando condições favoráveis e formas de colaboração efetivas que favoreçam a deslocalização/fixação do investimento e a atração de recursos humanos;
“O trabalhador quanto mais qualificado e especializado mais se sente motivado a empreender… temos na Beira Baixa capacidade para o fazer”.
… uma forte aposta na qualificação profissional do ‘capital humano’ (colaboradores e empresários), face a novas exigências e reais necessidades do mercado interno e externo (novos modelos de gestão e especialização técnica em áreas especificas e especializadas). A produção de informação e do conhecimento constituem assim, elementos chave para a promoção da empregabilidade, produtividade, competitividade e desenvolvimento económico. É pois fundamental criar e/ou reforçar parcerias entre os atores locais, procurando promover uma rede regional de educação e formação profissional eficiente, envolvendo as instituições do ensino superior e ensino profissional, as associações empresariais e o tecido empresarial, considerando as empresas instaladas e as que pretendem instalar-se na região;
… sensibilizar as empresas para a necessidade de investir em inovação e no conhecimento para subsistir, através da investigação científica tecnológica, em especial no domínio do desenvolvimento de produtos/serviços ou na introdução de melhorias significativas baseadas em processos tecnologicamente inovadores, constituindo uma alavanca para a afirmação das empresas da região junto dos mercados nacionais e internacionais.
“É preciso atuar mas para atuar a região tem que ter um projeto! Muitas vezes os projetos não existem (e não é só aqui)… as parcerias não existem, porque toda a gente quer ser protagonista e quando isso acontece é meio caminho andado para não acontecer nada de novo e o que é preciso é fazer acontecer coisas”.
... uma necessidade fulcral de conjugação de esforços e de trabalho em rede entre os diferentes ‘atores’ locais e regionais face às novas necessidades de uso e gestão do território, em prol do desenvolvimento coletivo e sustentado e não individualizado;
“Creio que quanto ao capital, com algumas ações bem feitas e que a legislação e os governantes no dêem alguma garantia de estabilidade do investimento, também surgirão os investidores”.
… implementação de estratégias coletivas de desenvolvimento regional só terá o impacto estrutural desejado se o Estado criar condições favoráveis à promoção do Desenvolvimento Regional, através de novas políticas públicas direcionadas para o ordenamento e valorização do território e para o incremento da atividade empresarial; o papel do Estado é decisivo e constitui um importante incentivo à cooperação entre os vários ‘atores’, criando as condições favoráveis para o desenvolvimento da região.

# No sentido de potenciar uma estratégia sustentada e estruturada segundo objetivos concretos, surgem três propostas de atuação a curto prazo:
Guia do Investidor “…necessidade de captar investimentos estruturantes, empresas âncora, sobretudo direcionados para bens transacionáveis, revitalizando social e economicamente a região, através da criação de emprego e riqueza e com efeitos multiplicadores noutros sectores.”
Projeto dinamizado pela AEBB que envolve a publicação de um conjunto vasto de informação necessária e atualizada, que contém a caraterização sociodemográfica e macroeconómica sobre a região, e cujo objetivo visa atrair o investimento nacional e estrangeiro e apoiar o Investidor/Agentes Económicos na sua tomada de decisão, evidenciando os aspectos mais relevante no que concerne às atividades económicas, insfraestruturas, logística, acessibilidades, turismo, cultura e património, instituições de apoio, facilities…
Estudo AEBB/IPCB: ‘Dinâmicas de Cooperação para o Desenvolvimento Regional’ “A produção de informação e do conhecimento constituem assim, elementos chave para a promoção da empregabilidade, produtividade, competitividade e desenvolvimento económico. É fundamental criar e/ou reforçar parcerias entre os atores locais, procurando promover uma rede regional de educação e formação profissional eficiente, envolvendo as instituições do ensino superior e ensino profissional, as associações empresariais e o tecido empresarial, considerando as empresas instaladas e as que pretendem instalar-se na região.”
A AEBB e o IPCB assumindo o seu papel de agentes dinamizadores do desenvolvimento regional, mantêm uma estreita colaboração desenvolvendo atividades conjuntas que visam o reforço da ligação entre o tecido empresarial e as instituições de ensino superior da região, potenciando o seu desenvolvimento. Está eminente a publicação de um estudo que envolveu a aplicação de um inquérito junto das empresas e instituições da região e permitiu identificar as necessidades de formação, de conhecimento e de mercado, fundamentais na atividade das empresas/instituições inquiridas. Os resultados obtidos constituem uma base de trabalho e permitem estruturar a colaboração entre partes e apoiar de uma forma objetiva e estratégica na produção do conhecimento, alinhado às necessidades das empresas, promovendo o desenvolvimento de projetos de inovação e de transferência de tecnologia e conhecimento com ‘visibilidade e relevância a nível nacional e internacional’.
Promover novos nichos de mercado: plantas aromáticas
e medicinais (PAM)
“…promover novas áreas de negócio, novas fileiras de especialização (empresas ligadas às novas tecnologias, às ciências biomédicas,…), passa pela criação de novos nichos de mercado em setores emergentes.”
Estuda-se uma eventual estratégia que visa a promoção do setor das plantas aromáticas e medicinais, numa perspetiva de desenvolvimento económico. O projeto consiste no desenvolvimento de um estudo a nível regional, nacional e internacional, no sentido de potenciar uma estratégia de intervenção no território no setor das PAM (ações de formação; criar novos produtos inovadores, construir um cluster, criação de redes logísticas e comerciais, …); a sustentabilidade e viabilidade de uma nova fileira implica necessariamente, uma conjugação de esforços de trabalho em rede, entre os interessados e diferentes atores ‘públicos’ (Municípios, Associações Empresariais,…), que funcione como catalizador de sinergias.

“O conceito que defendo é o das chamadas Zonas Económicas Especiais… um conceito que está um pouco a crescer em várias regiões da Europa mas para a qual são precisas atitudes legislativas! Porque é que estas ZEE são importantes? Em termos estatísticos, na região da Beira Baixa estamos a perder população mais ou menos 1% ao ano mas há uma zona do país, os Açores, onde a população cresce 2% ao ano, onde o IVA é 5% mais baixo, o IRS é 30% mais baixo e o IRC é 65% mais baixo. Naturalmente que estes números geram impacto não só económico!

 

 ‘SAÚDE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL’ - 27/set-2016

“É preciso responsabilizar o indivíduo pela sua saúde! As pessoas aprendem mas não assimilam. Tem que haver massificação da informação… só desta forma se consegue fazer educação para a saúde.”

- Educar para a Saúde!
A promoção de estilos de vida saudáveis que ajudem os indivíduos e a comunidade a adotar ou a modificar comportamentos que elevem os níveis de saúde e consequente prevenção de doenças, implica o envolvimento e a responsabilização de todos os organismos de intervenção pública (autarquias, escolas, empresas, centros de saúde,…) e do indivíduo em particular. Não se trata apenas de uma responsabilidade exclusiva dos serviços de saúde! As vantagens daí decorrentes são muitas, na certeza de que uma sociedade saudável contribui para o bem estar social, pressupondo um melhor funcionamento dos serviços de saúde e a redução de custos com este setor!

Chegar a este patamar de autonomia e desenvolvimento social, pressupõe, entre outros aspetos, que estejamos perante uma população esclarecida e informada!
O conceito de massificação de informação obriga há existência de uma rede de sinergias entre profissionais da saúde e organismos públicos, através de medidas e ações contínuas, destinadas a melhorar a condição de saúde das populações e do indivíduo em particular. Estas intervenções devem ter lugar em vários contextos como a escola, o trabalho e demais organizações comunitárias e serem realizadas por agentes educacionais ou por profissionais de saúde. Cuidar é também ensinar! É pois fundamental sensibilizar e capacitar as pessoas para uma aprendizagem continua, preparando-as para saber lidar com as mais diversas situações, desde os cuidados primários, à educação sobre os principais problemas de saúde e métodos de prevenção e controlo dos mesmos. Em pleno século XXI, muitas são hoje as doenças relacionadas com estilo de vida das pessoas, a má alimentação, o stress, os comportamentos de risco, entre muitas outras situações! É preciso educar no sentido do indivíduo adoptar comportamentos saudáveis e uma postura assertiva, ativa e participativa perante a mesma, com enormes benefícios para a sua saúde, capaz de prevenir doenças, conseguindo melhorar a sua qualidade de vida e o seu bem estar. Ou seja, educar para mudar hábitos e condutas é imperativo… conhecer os benefícios de uma alimentação saudável, a importância do exercício físico, a necessidade de proteção do ambiente, saber lidar com as incapacidades… entre muitos outros aspetos! E é preciso ensinar que “ser saudável é muito mais que não estar doente!”

“A diferenciação em algumas áreas pode gerar fatores lucrativos para atração do investimento. A saúde pode ser perspetivada deste modo!”

- Turismo de Saúde e Bem-Estar!
Na atualidade, o Turismo de Saúde e Bem-Estar constitui muitas vezes um fator decisivo na escolha do destino de férias. Este produto turístico que envolve uma grande complexidade de ofertas (turismo médico, termalismo, spas’s, talassoterapia,…), tem vindo a ganhar cada vez mais expressão, não só entre a população mais idosa. Apesar da crescente procura, a região da Beira Baixa não apresenta ainda grandes possibilidades de competir com outros destinos turísticos de Turismo de Saúde e Bem-Estar a nível nacional, embora na região já existam algumas infraestruturas com um leque de ofertas direcionadas, em especial no que concerne ao termalismo! Não obstante esta realidade, estamos perante uma região que reúne um conjunto de potencialidades, especificidades e diversidades turísticas, tanto a nível patrimonial, paisagístico, gastronómico, como cultural, que aliado à qualidade ambiental (ar, água), às excelentes unidades hoteleiras e de restauração, as boas infraestruturas rodoviárias, atribuem ao fator Saúde condições para sinalizar esta região como um pólo atrativo para o desenvolvimento do Turismo de Saúde e Bem Estar. A solução poderia passar pela criação de uma rede de cooperação/ plataforma colaborativa que promovesse uma maior competitividade e eficiência de respostas relativamente à procura e oferta, potenciando o desenvolvimento de sinergias e extrapolando a outras áreas de atividade da economia regional. A título de exemplo, esta articulação de esforços poderia passar pela promoção de parcerias entre as unidades hoteleiras e os hospitais e clínicas e/ou pela criação de uma estratégia conjunta de promoção do turismo de Saúde.

“A diferenciação pode gerar fatores lucrativos para atração do investimento. Acho que a saúde pode ser perspectivada deste modo.”

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